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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Reler Manuel A. Pina

Poesia pura que todos devemos conhecer, ler, saborear, refletir sobre, sentir...
«Uma coisa que me põe triste é que não exista o que não existe. (Se é que não existe, e isto é que existe!) Há tantas coisas bonitas que não há: coisas que não há, gente que não há, bichos que já houve e não há, livros por ler, coisas por ver, feitos desfeitos, outros feitos por fazer, pessoas tão boas ainda por nascer e outras que morreram há tanto tempo! Tantas lembranças de que não me lembro, sítios que não sei, invenções que não invento, gente de vidro e de vento, países por achar, paisagens, plantas, jardins de ar, tudo o que eu nem posso imaginar porque se o imaginasse já existia embora num sítio onde só eu ia...
» O pássaro da cabeça, «Coisas que não há que há», de Manuel António Pina